O BEM É TÍMIDO

Os espíritos nos ensinam, na questão 932 de O Livro dos Espíritos, que os bons costumam ser tímidos no combate ao mal e esta é uma razão para que o mal prospere.

Isto, no entanto, não quer dizer, como à primeira vista se poderia imaginar, que aqueles que já se filiaram ao bem devem utilizar a “astúcia dos maus” ou suas ferramentas. O bem tem que achar seu próprio caminho.

Então, como deveríamos combater o mal?

Em primeiro lugar, adquirindo repertório no bem. O que quer dizer isto?

Como espíritos imperfeitos, criados simples e ignorantes, tivemos ao longo de nossa evolução, mais contato com o mal do que com o bem. Quantos de nós, até bem pouco tempo atrás, não nos comprazíamos com o mal ou com o resultado do mal?

Hoje, certamente, todos os que estão dedicando seu tempo para ler esta página, não são mais capazes de ferir os outros por prazer. Quando o fazemos, ainda que involuntariamente, pedimos desculpas e a falha nos incomoda.

Em encarnações passadas não teríamos agido assim.

Posso apostar que aqueles que chegaram neste ponto da leitura, se cansaram do mal e têm consigo mesmos o compromisso de agir pelo bem. Esta é uma escolha nova na longa trajetória de cada um de nós. E como uma nova escolha, demanda um aprendizado para a utilização das ferramentas necessárias a esse novo modo de pensar e agir.

Quais são as ferramentas do bem? O amor é a principal delas e dele decorrem as demais virtudes, como a empatia, a benemerência, a caridade pura, a indulgência e o perdão.

Parecem ferramentas frágeis, para lidar com um mundo tão polarizado, mas não o são.

Hoje, ao percebermos o mundo à nossa volta, pode parecer que o mal triunfou, tamanha é a repercussão das coisas negativas. Mas se pensarmos bem, vamos ver que se o mal é notícia é porque ele é exceção e não regra. Se o mal fosse a condição “natural” da humanidade, ele não teria destaque. Nós não ficaríamos chocados. Isto nos mostra que, ao contrário da nossa percepção, o bem prepondera e não o mal.

Kardec nos conta em A Gênese que entre 100 espíritos, teremos 25 bons, 25 imperfeitos e 50 espíritos indecisos, ou seja, almas que ora se voltam para o bem, ora se voltam para o mal. Se os espíritos que abraçaram a causa do bem, por haverem se cansado do mal, agirem para auxiliar nas escolhas dos indecisos, teremos uma sociedade mais plena de amor.

Para que isto aconteça, o bem tem que ser contagioso. E essa é a nossa tarefa. Semear o bem!

Para semear o bem precisamos nos tornar familiarizados com as suas ferramentas. Precisamos saber usar com desenvoltura a indulgência, o perdão e a empatia. Nossos reflexos emocionais precisam incorporar novas respostas ao nosso dia a dia. E isto exige treino. São conquistas do espírito saber reagir emocionalmente de forma não violenta e amorosa aos estímulos que recebemos, ainda que estes estímulos não sejam bons.

Este é um trabalho de autoeducação que se reforça com a prática e que é, de certa forma, vitaminado pelas ações em prol dos outros.

Com isto, vamos nos modificando e mudando o mundo à nossa volta.

A desenvoltura na utilização dessas ferramentas nos proporcionará superar a timidez e passaremos a entender a profundidade do ensinamento de Paulo aos Romanos: “Não sejas vencido pelo mal, mas vence o mal com o bem”.

Glaucia Savin

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