O tempo de Deus

Todo ano que se inicia parece trazer consigo a esperança de um novo ciclo. Sempre existe, em cada um, a esperança em uma espécie de recomeço.

Por que o tempo nos fascina tanto e rege, de maneira inexorável, as nossas vidas? E a qual tempo nos referimos?

Einstein nos provou que o tempo só existe em relação ao espaço. Se você embarcar em uma nave espacial, o tempo vai começar a passar mais devagar em relação àqueles que você deixou na Terra.

É por isto que os espíritos não nos falam em tempo e em prazos. Não dá! As referências são outras.

Os antigos gregos tinham duas medidas de tempo, vinculadas a dois deuses diferentes: Chronos era o senhor do tempo cronometrado, cronológico (esse que medimos no relógio) e estava ligado às coisas materiais. De outro lado, havia Kairós, representado por um jovem que sempre estava nu, de asas nos ombros e nos tornozelos, tinha mechas de cabelo caindo sobre a testa, mas a sua nuca é calva. Isso representa o caráter instantâneo de sua apreensão: ele só pode ser pego (agarrado pelos cabelos) em sua passagem por nós e, uma vez tendo passado, era impossível alcançá-lo (não tem cabelos na nuca por onde possa ser puxado de volta).
Kairós tem numa das mãos uma balança. A balança é símbolo do equilíbrio e da justiça: Kairós, embora veloz, não ultrapassa a medida, mas não é limitado pelo tempo cronometrado de Chronos.

A crença na imortalidade da alma muda o nosso conceito de tempo. O tempo do nosso espírito é medido pelas diversas experiências suportadas por cada um de nós. É o tempo do nosso aprendizado, que pode ser mais longo ou encurtado, de acordo com a nossa vontade.

E falando em vontade, é comum nos pegarmos gastando tempo à toa e, depois, reclamando de que não temos tempo nenhum e andamos por aí apressados como o chapeleiro de Alice no País das Maravilhas.

André Luiz em uma mensagem que não encontro mais, mas que mesmo assim não esqueço nunca, nos fala das horas inconscientes. Acompanhem o raciocínio proposto pelo nobre espírito:

Em uma semana temos 168 horas. Se trabalharmos de 2ª a 6ª feira, todos os dias, 10 horas por dia e tivermos 8 horas de sono, temos um saldo de 6 horas nos dias úteis. Nos finais de semana, teremos 16 horas de saldo. Disto resultam 62 horas livres na semana! O que fazemos com essas horas?

Um novo curso? Uma pós graduação? Ou desperdiçamos tanto tempo livre em redes sociais, falando mal dos outros ou bisbilhotando a vida alheia?

E o tempo atual? O que fazemos dele? Vivemos olhando para o passado, congelando os nossos dias e o nosso tempo? Ou vivemos com os olhos mirando o futuro e esquecendo de viver o presente, tomados pela ansiedade?

O homem já promoveu várias tentativas de dominar ou domar o tempo, mas o presente é o tempo da vida. É este o tempo que nos oferece as oportunidades para moldar o futuro e apagar os equívocos do passado.

Tem gente que tem medo da passagem do tempo, por temer a velhice e a morte. É um medo legítimo que, no entanto, se dissipa diante da visão da eternidade que nos embala.

E falando em tempo, você tem tempo para Deus? Quando é que nos lembramos dEle?

Lembram de Chromos e Kairós lá do comecinho da conversa? Pois é! Como é que compatibilizamos os dois conceitos, do tempo da matéria com o tempo do espírito que é livre?

Vivemos em um mundo material e precisamos seguir as regras que o sustentam e o tempo cronológico, mas podemos e devemos dar ao nosso espírito um pouco das nossas horas inconscientes para que ele possa encontrar a sua essência divina. O tempo da matéria não pode sufocar o tempo do espírito. Quando deixamos que isto aconteça, sofremos angústias terríveis por tentarmos aprisionar o nosso espírito livre ao tempo de Chronos. Nosso espírito precisa de espaço para poder se encontrar com o Criador e com a sua essência, no tempo que os antigos gregos chamavam de Kairós e que, hoje, podemos chamar de “o tempo de Deus”.

Glaucia Savin

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